Acre despejou 57 milhões de litros de esgoto sem tratamento por dia em rios em 2024, alerta estudo

  • 12/08/2026
(Foto: Reprodução)
Acre tem 55% da população sem água potável e 89% sem coleta de esgoto, diz Trata Brasil Foram despejados diariamente 57,1 milhões de litros de esgoto residencial sem tratamento em rios e córregos no Acre em 2024, conforme estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil nessa terça-feira (11). O total equivale a cerca de 22,8 piscinas olímpicas por dia. O alerta consta no levantamento 'Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico no Acre', que analisou exclusivamente o cenário do serviço entre 2000 e 2024 no estado. No período, mais de 300 mil moradores passaram a ter água tratada. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Conforme o documento, o volume de rejeitos despejados nas águas da capital representa uma média de 64,8 litros de esgoto por habitante a cada dia. O cenário é resultado do baixo acesso da população ao sistema de esgotamento sanitário. ♻️ A falta de infraestrutura adequada aumenta a poluição de rios e córregos e afeta também municípios localizados abaixo nas bacias hidrográficas. Em 2025, enchente evidenciou a falta de descarte correto de esgoto na capital Eldérico Silva/Rede Amazônica Além da falta da devida coleta, somente 25% do volume de água consumido no estado acreano recebe tratamento adequado antes de ser devolvido ao meio ambiente. Na prática, segundo a pesquisa, o estado conta majoritariamente com sistemas que apenas afastam o esgoto das áreas urbanas, sem garantir o tratamento adequado. Com isso, as bacias hidrográficas acreanas recebem uma carga poluidora estimada em 20,8 milhões de metros cúbicos por ano. LEIA MAIS Contas de água e esgoto têm reajuste de mais de 6% a partir de junho em Rio Branco Por que a água não escoa? Especialista explica enxurradas em bairros de Rio Branco Acre é o estado que menos investe em saneamento no país, aponta estudo O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) disse que o projeto voltado à ampliação do sistema de esgotamento sanitário encontra-se em fase de encaminhamento para licitação. A expectativa é que, com a execução dos investimentos previstos, Rio Branco alcance 55% de esgoto tratado até o final de 2027. Segundo a autarquia, em 2024 cerca de 17% do esgoto foi coletado e tratado. Já em 2025 esse número subiu para 26,8%. A expectativa do Saerb é fechar o ano com mais de 30% de esgoto coletado e tratado. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Branco (Semeia) disse que apura denúncias sobre o descarte irregular de esgoto doméstico e outros resíduos líquidos em córregos, igarapés, rios, vias públicas, terrenos e outras áreas. As ações são feitas dentro das competências legais do órgão e com base nas denúncias recebidas pela secretaria e que, entre 2024 e 2026, foram atendidas 181 denúncias de descarte irregular, sendo 69 em 2024, 61 em 2025 e 51 em 2026. (Veja nota na íntegra abaixo) Já o Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) disse em nota que, apesar do órgão passar por um processo de reestruturação, o estado investiu cerca de R$ 16 milhões em máquinas e equipamentos em 2026 e ampliou mais de 40 km de redes de abastecimento nos últimos quatro anos. "Na parte de esgotamento sanitário, o Saneacre tem em andamento a elaboração do projeto do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Cruzeiro do Sul em parceria com a Caixa Econômica Federal (cerca de R$1milhão para elaboração do projeto)", diz parte da nota. (Veja mais abaixo) Déficit no atendimento Além disso, a pesquisa explica que o déficit de saneamento no Acre está muito acima da média brasileira. Enquanto 44,8% da população do país não tem acesso à coleta de esgoto, no Acre o índice chega a 89%. A situação também varia entre as regiões do estado. Segundo dados do estudo, as regiões de Brasiléia, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, no interior do Acre, apresentam déficit de 100% na coleta de esgoto. A exceção é apenas Rio Branco, que apresenta um melhor nível de cobertura. Enquanto 15.638 mil m³ de água são consumidos na capital, que equivalem a cerca de 6,25 piscinas olímpicas, cerca de 12,5 mil m³ são coletados e apenas 6,9 mil m³ são tratados. O déficit de esgotamento sanitário, de acordo com a pesquisa, é 55,5% na capital acreana. "A gente tem mais de 1,3 mil internações por doenças que poderiam ser evitadas: diarreia, dengue leptospirose, esquistossomose. A gente tem um prejuízo na vida da população, nas crianças, uma escolaridade média muito menor de 1,8 ano a menos em crianças que não têm acesso ao saneamento, uma renda do trabalhador menor", pontuou a diretora executiva do Trata Brasil, Luana Pretto, à Rede Amazônica. Nota do Saneacre Nos últimos anos, o Saneacre vem passando por um amplo processo de reestruturação, visando atender às novas exigências legais e ampliar sua capacidade de operação no estado. Na Região Norte como um todo, as dificuldades logísticas e operacionais fazem com que os serviços demandem maiores investimentos e tempo de execução, dada a baixa industrialização da região. Mesmo diante desse cenário desafiador, o governo do Estado, possui ações em andamento para a implantação de novos sistemas de abastecimento de água e uma carteira de investimentos estimada em R$ 64 milhões para os próximos anos frutos de parceria com o governo Federal. Além disso, a autarquia adquiriu aproximadamente R$ 16 milhões em máquinas e equipamentos neste ano de 2026, ampliou mais de 40 quilômetros de redes de abastecimento nos últimos quatro anos, entregou novas Estações de Tratamento de Água (ETAs) e segue implementando medidas para reduzir a inadimplência, preservando o poder econômico das famílias acreanas com responsabilidade social. Na parte de esgotamento sanitário, o Saneacre tem em andamento a elaboração do projeto executivo do sistema de coleta e tratamento de esgoto de Cruzeiro do Sul em parceria com a Caixa Econômica Federal (cerca de R$ 1 milhão para o estudo e elaboração do projeto). Com os investimentos previstos e aqueles em já em fase de pré-execução, a expectativa da autarquia é de melhorar os índices de atendimento à população nos próximos anos. Nota do Saerb A Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMEIA, por meio do Departamento de Fiscalização Ambiental, atua na apuração de denúncias relacionadas ao lançamento irregular de esgoto doméstico e outros efluentes em córregos, igarapés, rios, vias públicas, terrenos e demais áreas, sempre no âmbito de suas competências legais e conforme as denúncias recebidas pela Secretaria. A atuação está fundamentada na Política Municipal de Meio Ambiente, estabelecida pela Lei Municipal nº 1.330/1999, bem como na Lei Municipal nº 2.422/2022, que dispõe sobre as sanções administrativas aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e disciplina o exercício do Poder de Polícia Ambiental no Município. A partir do recebimento da denúncia, a equipe de fiscalização realiza a apuração da ocorrência, com vistoria no local e verificação das condições existentes, buscando identificar a origem do lançamento, a forma de disposição do esgoto e a eventual ocorrência de degradação ou risco de dano ambiental. Constatada a irregularidade, a atuação da fiscalização possui caráter prioritariamente preventivo, orientativo e corretivo, buscando a regularização da situação e a interrupção do lançamento inadequado. Nesse contexto, são utilizados, conforme a situação constatada, instrumentos como Orientação Técnica e Termo de Advertência, nos quais são indicadas ao responsável as providências necessárias para a correção da irregularidade, com estabelecimento de prazo para sua execução. Entre as medidas que podem ser determinadas estão a implantação ou adequação de sistema individual de tratamento de esgoto, como fossa e filtro; a realização da ligação correta à rede de esgotamento sanitário; a correção, substituição ou adequação de tubulações e encanamentos; e a eliminação de pontos de lançamento direto de esgoto em corpos hídricos ou no solo. O objetivo da atuação fiscalizatória é, portanto, não apenas identificar a irregularidade, mas promover a sua efetiva correção, contribuindo para a proteção dos recursos hídricos e para a redução das fontes de poluição ambiental no município. Quando a situação constatada caracteriza infração ambiental, são adotadas as medidas administrativas e sancionatórias cabíveis, nos termos da legislação municipal vigente. Dessa forma, a atuação do Departamento de Fiscalização Ambiental ocorre a partir das denúncias recebidas e da constatação das situações em campo, sendo as providências adotadas de acordo com as características e a gravidade de cada ocorrência, observando-se a legislação ambiental aplicável e os procedimentos administrativos pertinentes. No período de 2024 a 2026, foram atendidas 181 denúncias relacionadas a essas ocorrências, sendo 69 em 2024, 61 em 2025 e 51 em 2026. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/08/12/acre-despejou-57-milhoes-de-litros-de-esgoto-sem-tratamento-por-dia-em-rios-em-2024-alerta-estudo.ghtml


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