Após quase 2 anos, exposição de fósseis em laboratório da Ufac reabre para o público
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Laboratório de Paleontologia da Ufac reúne fósseis de animais gigantes que viveram no Acre
Para quem deseja conhecer os animais gigantes que viviam no Acre e na região amazônica, o Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (Ufac) reabriu, para o público da comunidade geral, a exposição de fósseis, desde o último dia 2 de fevereiro.
Para visitas individuais, não é necessário agendamento prévio e o laboratório funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 16h. Já para grupos acima de 10 pessoas, é necessário realizar o agendamento por meio do e-mail labpaleonto.ufac@gmail.com. As demais dúvidas podem ser sanadas pelo Instagram do espaço.
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Segundo a organização, o espaço, que estava fechado desde junho de 2024, proporciona uma espécie de viagem no tempo pela paleofauna, ou fósseis, da região acreana. A guia do espaço, Kauani Araújo, explicou que as peças foram encontradas por pesquisadores e estudantes da universidade.
O fóssil do Purussaurus, encontrado às margens do Rio Purus, é considerado o carro chefe do Laboratório. Junto a ele, também estão expostos diversos fósseis de animais diferentes encontrados na região acreana e amazônica.
“Temos o Notiomastodon platensis, que é como se fosse o nosso Manny da Era do gelo, é um mamute gigante que existiu naquela época. A diferença dele para o Manny é que ele não tinha muitos pelos. Podemos ver também aqui na exposição uma vértebra e, através dela, temos uma noção basicamente se é mamífero ou réptil por conta da estrutura óssea do animal que se apresenta ali”, detalhou.
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Arquivo pessoal
Viagem no tempo
O espaço conta com fósseis originais, réplicas e obras que mostram um cenário de milhares de anos atrás, quando existiam jacaré gigantes, como o Purussaurus brasiliensis, uma das espécies mais conhecidas e famosas do Acre, com seus mais de 10 metros de comprimento e pesando mais de 5 toneladas.
Além destas espécies, a guia também apresentou uma espécie de preguiça-gigante (Eremotherium), que foi bastante marcante para a região.
“Podemos ver até mesmo o tamanho dela, como era a desenvoltura dela e esses fósseis têm dentes bem preservados. Basicamente, através do dente conseguimos captar a ambientação, como era a localidade e a região de fauna e floresta daquele clima”, comentou.
Exposição conta com fósseis originais, réplicas e obras que mostram um Acre de milhares de anos atrás
Reprodução Rede Amazônica Acre
Interesse em família
O estudante Nicolas Lemos já nutria o interesse por paleontologia ao assistir filmes e documentários sobre o assunto. Ao tomar conhecimento sobre a existência de um laboratório com fósseis reais e tão próximo a ele, decidiu que iria conhecer.
“Vendo documentários e curiosidades no YouTube sobre fósseis, fui me interessando e pesquisando mais vídeos. Um amigo meu falou que aqui no Acre tem essa exposição aqui e eu fiquei interessado em pedir para o meu pai me mostrar e agora estou aqui”, disse.
A curiosidade de Nicolas se misturou com emoção ao ver de perto tudo aquilo que assistia nos vídeos.
“Eu sempre vi muitas coisas no vídeo e me interessava. Eu ficava pensando em como seria essas coisas: Será que é desse jeito mesmo? Agora estou aqui e estou muito feliz”, compartilhou.
Quem levou e acompanhou Nicolas na visita ao laboratório foi seu pai, o professor da Ufac Fabiano Sales, que acredita ser importante conhecer a variedade de fósseis encontrados no estado.
“É importante que os alunos, que a comunidade externa, tenha acesso a isso, porque ninguém consegue ver um fóssil e é até surpreendente ter isso no estado do Acre. Porque, quando eu vim de Rondônia, tinha um preconceito de que não tinha muita coisa no Acre. Esse preconceito é carregado até pelos alunos de que o Acre não tem nada, não tem atrativo e isso é um ótimo atrativo, você saber que, nesse nosso mundo tão enorme, aqui no estado do Acre temos fósseis”, afirmou.