Bebê indígena de 1 ano morre e corpo é armazenado em caixa térmica enquanto aguarda legista no AC
07/03/2026
(Foto: Reprodução) Médico legista de Rio Branco chegou em Santa Rosa do Purus na manhã deste sábado (7)
Arquivo pessoal
Um bebê indígena, de 1 ano, da etnia Kaxinawá morreu em Santa Rosa do Purus, cidade isolada do Acre, no interior, nessa sexta-feira (6) após cair de uma rede. No hospital, o médico encontrou hematomas no corpo e acionou a Polícia Civil e a perícia para investigar a morte.
Sem Instituto Médico Legal (IML) na cidade, o corpo da criança foi armazenado em uma caixa térmica com gelo na delegacia enquanto aguardava a chega de um médico legista de Rio Branco. O acesso à cidade de Santa Rosa do Purus é feito apenas por barco ou avião.
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"Fizeram os cuidados necessários, colocaram gelo para manter o corpo da criança até a chegada da perícia. A família quer fazer o sepultamento, mas o corpo está na delegacia armazenado de acordo com o que o médico pediu. Está dentro de uma caixa térmica, colocaram gelo e cuidaram para que o não tenha contato com a água. É a forma que tem de armazenamento lá", confirmou ao g1 o coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Alto Purus (Dsei), Evangelista da Silva de Araújo Apurinã.
O delegado Thiago Parente disse que o legista confirmou que não houve maus-tratos e que a morte do bebê ocorreu por conta de uma queda acidental. O corpo da criança foi liberado para sepultamento.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que foi solicitada a ida de uma equipe de legistas na noite dessa sexta. Na manhã deste sábado (7), uma aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) pousou na cidade com os profissionais.
O coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Júnior Manchineri, confirmou que chefia da Unidade Técnica Local de Santa Rosa do Purus acompanha o caso para garantir que todos os direitos dos indígenas sejam preservados.
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Morte suspeita
Ainda conforme o coordenador do Dsei Alto Purus, a criança é filho de um agente da saúde indígena da Aldeia Monte Sião. A servidor voltou com a família para a área urbana esta semana para o início das aulas dos filhos.
Na última quarta (4), o agente de saúde deixou o filho de 1 ano com uma das filhas adolescente, de cerca de 13 anos, e foi até a região central pegar uma cesta básica com a Defesa Civil da cidade.
"Nesse período, deixaram o bebê com a filha e ele caiu da rede. Não está muito claro como ocorreu, mas a menina não contou para a mãe. No momento em que a mãe chegou, ela foi amamentar a criança e ela começou a vomitar. Mas, começaram a dar chá para o bebê e cuidar em casa", contou Evangelista Apurinã.
Após dois dias em casa, os pais do bebê resolveram ir até a unidade mista da cidade. "Sentiram que a criança estava em vida e levaram para a unidade. O médico de plantão falou que a criança chegou sem vida e foi fazer a declaração de óbito. Contudo, ele viu que a criança tinha alguns hematomas pelo corpo e não poderia dar a declaração. Então, foi à delegacia e acionou a polícia", destacou.
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