Com Rio Acre abaixo dos 10 metros, famílias desabrigadas deixam Parque de Exposições: 'Ótimo voltar para casa'
09/02/2026
(Foto: Reprodução) Famílias desabrigadas por conta da cheia começam a voltar para casa em Rio Branco
Com o Rio Acre abaixo da cota de atenção depois de quase um mês acima desta marca, as famílias abrigadas no Parque de Exposições Wildy Viana começaram a retornar para casa na manhã desta segunda-feira (9), em Rio Branco. Ao todo, 39 famílias, que somam 115 pessoas e 26 animais, estavam no espaço.
O retorno ocorre após duas cheias registradas em menos de um mês. Na medição das 5h da Defesa Civil Municipal nesta segunda (9), o manancial marcou 9,89 metros.
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Entre as famílias que começaram a deixar o abrigo está a aposentada Valdeniza Alves, moradora da região do bairro Cadeia Velha. Ela contou que, apesar das dificuldades, sai do local com sentimento de gratidão.
“Eu não tenho casa, mas estou feliz. Fui muito bem recebida aqui. Não sei se vou vir de novo, quem sabe é Deus. Nós somos como uma vela, se apaga a qualquer hora. Mas eu agradeço porque fui muito bem recebida. Estou saindo daqui hoje com vida e saúde, e isso já é muito”, disse.
Valdeniza também destacou o acolhimento durante o período em que ficou no abrigo. “Não passei fome. Não fiquei na chuva nem no sol. Tudo deu certo aqui”, completou.
Famílias desabrigadas por conta da cheia começam a voltar para casa em Rio Branco nesta segunda-feira (9)
Aline Pontes/Rede Amazônica
A dona de casa Ângela Souza, também do bairro Cadeia Velha, disse que, para quem vive em áreas que alagam, o maior desafio se repete todos os anos.
“O processo mais difícil é perder coisas que a gente luta o ano todo para comprar. Às vezes a água vem rápido e não dá tempo de tirar tudo. Mas a gente sai pela vida. Aqui a gente encontra apoio, médicos, psicólogos. Hoje, a minha palavra é gratidão ao atendimento que tive”, disse.
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Para a dona de casa Nicole Oliveira, moradora do bairro Ayrton Sena há cinco anos e grávida do segundo filho, a saída do abrigo também representa alívio.
“É ótimo voltar para casa, ficar no cantinho da gente. Moro com meu marido e minha filha. Fiquei com medo de ter o bebê aqui. Agora, voltar para casa traz mais tranquilidade”, contou.
Famílias desabrigadas por conta da cheia começam a voltar para casa em Rio Branco nesta segunda-feira (9)
Aline Pontes/Rede Amazônica
Histórico
A primeira cheia foi registrada quando o manancial transbordou no dia 16 de janeiro e atingiu 14,01 metros na medição das 15h. Após oito dias consecutivos de transbordamento, o rio começou a baixar no dia 24 de janeiro, quando marcou 13,98 metros na medição das 5h.
No entanto, poucos dias depois, o nível voltou a subir e a segunda cheia foi registrada quando o rio transbordou novamente no dia 29 de janeiro, ao atingir 14 metros na medição das 18h. Na ocasião, a elevação foi provocada pelas chuvas registradas na região de cabeceira.
Na última terça-feira (3), após quase uma semana em transbordamento, o manancial começou a vazar. Neste período, o maior nível do rio tinha sido registrado no dia anterior, quando marcou 15,44 metros na medição das 9h e atingiu mais de 12 mil pessoas direta e indiretamente na capital.
Além disso, de acordo com monitoramento oficial, o manancial entrou na casa dos 10 metros no sábado (7), quando na medição das 15h o nível marcou 10,93 metros e continuou em queda ao longo do dia.
Vazante do Rio Acre em Rio Branco - fevereiro de 2026
Júnior Andrade/Rede Amazônica
Apesar da redução, a Defesa Civil pontuou que o cenário ainda exige atenção, já que novas elevações não estão descartadas e o período mais crítico do inverno amazônico ainda não terminou.
Para este mês, a previsão é de cerca de 300 milímetros de chuva, o que mantém o cenário de atenção para novas variações no nível do manancial e a possibilidade de novas elevações ao longo do mês.
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