Cozinheira descobre doença rara na tireoide após sobreviver acidente com 5 mortos no AC: 'Feliz de estar curada'

  • 10/06/2026
(Foto: Reprodução)
Procedimento durou cerca de 8 horas e envolveu 5 cirurgiões Arquivo pessoal Em julho de 2022, a cozinheira Marilene Azevedo Ferreira, de 49 anos, quase perdeu a vida em um acidente de trânsito entre uma van e um caminhão que deixou cinco mortos em Xapuri, interior do Acre. Logo depois, passou a sentir um cansaço recorrente e foi em busca de uma resposta médica. O diagnóstico foi um bócio mergulhante volumoso, condição rara que aumenta de forma anormal glândula da tireoide causando expansão dentro do tórax. “Na época do acidente, fui para Rio Branco direto ao pronto-socorro. Fizeram um raio-X e os médicos viram uma massa no pulmão. Eles disseram que era uma massa, mas não sabiam o que era. Aí me encaminharam para o doutor Newton Torres e começaram as investigações”, relembrou. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A retirada da estrutura em excesso ocorreu após mais de 3 anos do acidente, quando Marilene conseguiu fazer a cirurgia considerada de alta complexidade na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), no último dia 2. A cozinheira teve alta nessa segunda (8). 🔎 O bócio mergulhante (BM) é uma modificação rara da glândula tireóide. Consiste em aumento do tamanho, peso e volume da glândula que invade a cavidade torácica total ou parcialmente. Em geral, é um quadro crônico, de evolução lenta e de aspecto assintomático em até 65% dos casos. Saúde da tireoide: alerta para cuidados com glândula que regula funções vitais do corpo LEIA MAIS: Servidora pública do AC descobre síndrome rara após 15 anos com dores e passa por cirurgia: 'Nasci de novo' Criança do AC com mutação genética rara faz cirurgia após doação de Gusttavo Lima: 'Vibrações positivas' Família indígena do AC luta pela vida de criança de 1 ano que tem cardiopatia e passou por cirurgia O procedimento mobilizou duas equipes médicas especializadas. A cirurgia combinou uma tireoidectomia, que é a retirada total da tireoide, além de uma abordagem torácica para acessar a parte da glândula que havia crescido. Marilene retornou a Xapuri e segue em recuperação. “Foi uma mobilização muito grande. Eu vi que tinha várias equipes médicas envolvidas. Agora é me recuperar. Vou continuar fazendo acompanhamento porque não tenho mais tireoide, mas estou muito feliz de estar curada e voltando para casa”, declarou. Conforme a cozinheira, a suspeita inicial era de que se tratava de um tumor pulmonar, contudo, após uma série de exames e avaliações especializadas, os médicos concluíram que a estrutura observada era, na verdade, a própria tireoide, que havia crescido para dentro do tórax. Apesar de conviver com o cansaço, Marilene disse que nos últimos meses, porém, os sintomas se intensificaram e ela também passou a sentir uma sensação constante de pressão no peito. “Ultimamente o cansaço frequente dificultava atividades que exigiam esforço físico”, relatou. Cirurgia Ao g1, o cirurgião torácico Lukas Vieira, que já trabalhou no Instituto Nacional do Câncer (Inca), disse que a complexidade do caso exigiu planejamento detalhado e atuação conjunta das equipes de cirurgia torácica e de cabeça e pescoço. “Por estar descendo para dentro do mediastino [região entre os dois pulmões] a equipe de cabeça e pescoço retirou a parte superior da tireoide pelo pescoço. Depois, fizemos uma abertura no tórax para acessar a porção que estava completamente dentro da cavidade torácica”, explicou. Segundo o médico, a lesão tinha 15 centímetros e estava localizada próxima à traqueia, comprimindo estruturas importantes da região. “Essa foi a maior complexidade da cirurgia. Tivemos que fazer duas incisões, uma cervical e outra torácica. Ao todo, foram 5 cirurgiões envolvidos no caso”, disse. O planejamento começou antes mesmo da cirurgia, com análise detalhada de exames de imagem para definir a melhor estratégia. “O maior desafio foi planejar o procedimento pois não é uma cirurgia que fazemos com frequência. Ao todo o processo chegou perto de oito horas”, acrescentou. 🩺 Bócio mergulhante Ainda conforme Lukas Vieira, o bócio mergulhante ocorre quando a tireoide cresce em direção ao interior do tórax, em vez de aumentar para fora do pescoço, como acontece na maioria dos casos. Os sintomas podem incluir: falta de ar dificuldade para engolir sensação de peso ou pressão no peito alterações relacionadas ao funcionamento da tireoide, como cansaço excessivo ou até irritabilidade. O especialista destaca que não existe uma forma específica de prevenir a condição, mas reforça a importância do diagnóstico precoce, através de exames como a ultrassonografia. "A recomendação é procurar um especialista ao notar qualquer alteração na região do pescoço ou sintomas persistentes", completou o médico. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/06/10/cozinheira-descobre-doenca-rara-na-tireoide-apos-sobreviver-a-acidente-e-passa-por-cirurgia-no-ac-feliz-de-estar-curada.ghtml


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