Família pede justiça em julgamento de acusado de assassinar ex na frente da filha em Rio Branco: 'Pesadelo'

  • 28/04/2026
(Foto: Reprodução)
Família pede justiça em julgamento de acusado de matar ex na frente da filha em Rio Branco O julgamento de Jairton Silveira Bezerra, de 46 anos, acusado de assassinar a ex-companheira Paula Gomes da Costa, de 33 anos, em 27 de outubro de 2024 no bairro Alto Alegre, em Rio Branco, começou nesta terça-feira (28), na Cidade da Justiça. A previsão é de que o júri seja concluído ainda nesta terça. Do lado de fora e dentro do fórum, a expectativa é marcada pela mobilização da família da vítima que, com cartazes, cobra justiça e relembra a violência do crime, ocorrido em via pública e a frente da filha do casal, de apenas 6 anos na época. (Veja vídeo do protesto acima) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A defesa de Jairton, representada pelo advogado Fábio Santos, disse que o objetivo principal é retirar as qualificadoras e reduzir a pena do réu. Já a acusação, feita pelo promotor Teotônio Rodrigues, do Ministério Público do Acre (MP-AC), pontuou que as provas com relação ao crime são concretas. (Confira ambas as versões mais abaixo) Parentes e amigos acompanham o júri popular, que havia sido adiado na última sexta-feira (24). A nova data foi definida pelo juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da capital acreana. Durante a sessão, foram ouvidas somente testemunhas de acusação, além do interrogatório do réu. Não foram arroladas testemunhas de defesa. Com cartazes, familiares de Paula Gomes da Costa cobram por justiça pelo assassinato dela Pâmela Celina/g1 AC LEIA MAIS: Acre tem maior taxa de feminicídios do país em 2025 Caso Joyce: Investigado em morte de gerente do AC é preso suspeito de violência doméstica Mulher sobrevive a ataque do companheiro após conseguir se abrigar em veículo no Acre Em meio à espera pela decisão, a dor da família se mistura ao desejo por uma condenação. "Nada vai tirar a dor que a gente está sentindo, mas que corra tudo certo para a condenação. A minha irmã era uma pessoa muito querida na família, era de casa para o trabalho, do trabalho para casa. A saudade vem e fica um buraco, ainda mais quando eu olho para a filha dela que escreve o nome da mãe dela por todo o quarto da minha mãe. A gente não queria estar aqui agora e que isso não tivesse acontecendo. Está sendo um pesadelo muito grande", disse Cristina Silva, irmã de Paula. "Justiça, primeiramente eu quero a justiça de Deus, e segundo a dos homens, porque o que Ele fez, eu quero justiça. Ele não acabou só com a vida da minha filha, acabou com a minha também [...] eu vivo agora pela Valentina, e pela [memória da] Paula também. Que a justiça seja feita", complementou Maria Eliane Gomes, mãe de Paula. O réu foi pronunciado para responder por homicídio simples, classificado como feminicídio, com qualificadoras por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter sido cometido na presença de descendente e em contexto de violência doméstica. Cristina Silva e Maria Eliane Gomes, irmã e mãe de Paula Gomes, assassinada a facadas em Rio Branco Pâmela Celina/g1 AC O que dizem defesa e acusação Fábio Santos, advogado de Jairton, argumentou que a criança não viu o assassinato e que, por isto, a qualificadora de que o crime foi cometido na presença de descendente deve ser descartada. "A gente vai trabalhar aqui pela justiça porque existem alguns qualificadores que restam dúvidas razoáveis, como se ele tivesse matado a mãe na frente da filha. Isso agrava, dá quase 10 anos a mais de pena. E os autos dizem, ou pelo menos demonstram, que a criança não viu. Houve homicídio, houve uma coisa grave. No entanto, nós vamos trabalhar para que ele tenha uma pena justa e que cumpra essa pena e depois possa conviver em sociedade. É essa a principal função da defesa nesse caso", falou. Já Teotônio Rodrigues, do MP-AC, comentou que há provas concretas da materialidade do crime e que não há duvidas de que Jairton se enquadra em todas as qualificadoras pedidas pela acusação. "A vítima tinha, em benefício dela, uma medida protetiva há mais de 20 dias que impedia ele de chegar perto dela e mesmo assim ele afrontou a medida e matou ela. O MP vai pedir a condenação dele porque ela foi morta com 13 facadas na frente da filha e do pai dele" Fábio Santos e Teotônio Rodrigues, da defesa e acusação no caso Paula Gomes Pâmela Celina/g1 AC Andamento do processo A Justiça do Acre aceitou a denúncia do Ministério Público em janeiro de 2025, tornando Jairton réu. Em junho do mesmo ano, o juiz responsável decidiu levá-lo a júri popular, por entender que havia indícios suficientes de autoria e materialidade do crime. Investigações apontam que Paula já havia sido agredida anteriormente e possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, que teria sido descumprida. Ao longo do processo, a defesa tentou alterar a tipificação do crime e retirar a qualificadora de feminicídio, mas os pedidos foram negados. Também foram rejeitadas solicitações para que o acusado respondesse em liberdade. Uma decisão de fevereiro deste ano autorizou a oitiva de testemunhas indicadas pelas partes, inclusive com depoimento remoto de uma delas. O magistrado também permitiu a inclusão de um relatório de acompanhamento psicológico da filha da vítima e de um vídeo anexado aos autos. Por outro lado, negou o pedido de quebra de sigilo telefônico feito pela assistência de acusação. Jairton Silveira Bezerra é acusado de assassinar Paula Gomes da Costa em Rio Branco Reprodução Feminicídio Paula foi brutalmente esfaqueada na frente da filha de 6 anos em via pública de Rio Branco. Em janeiro do ano passado, a Justiça recebeu denúncia do Ministério Público do Acre (MP-AC) e, com isso, ele virou réu no processo. Jairton, que era gerente em uma loja de tintas da capital acreana, fugiu após o crime. Ele foi casado com Paula por 13 anos e já tinha agredido a vítima em outras ocasiões, o que fez com ela tivesse conseguido uma medida protetiva contra ele. O acusado se entregou à polícia no dia 6 de novembro na Delegacia de Flagrantes (Defla), em Rio Branco, 10 dias após o crime. Logo em seguida, foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para prestar depoimento. Ele teve um pedido de liberdade ou substituição de prisão por medidas cautelares negado em dezembro de 2024. No início de abril de 2025, teve negado outro pedido de benefício da Justiça gratuita e exclusão no processo da agravante de que o crime foi cometido na frente da filha do casal. No pedido, a defesa alegou à época, a ausência dos requisitos legais para manutenção da prisão. O suspeito também utilizou a filha como argumento, mesmo sendo apontado como o culpado por tirar a vida da mãe dela e fazer com que testemunhasse o crime. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/04/28/familia-pede-justica-em-julgamento-de-acusado-de-assassinar-ex-na-frente-da-filha-em-rio-branco-pesadelo.ghtml


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