Moradores denunciam falta de acesso em ramal que leva a terra indígena e Resex no Acre
04/05/2026
(Foto: Reprodução) Moradores denunciam acesso precário a ramal no interior do AC
Indígenas e moradores do Ramal do Icuriã, em Assis Brasil, no interior do Acre, denunciam as condições precárias da via e único acesso terrestre à Terra Indígena Mamoadate, a Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex) e outros ramais da região.
Em um vídeo gravador por moradores é possível ver a estrada intransitável pela lama, dificultando a locomoção de quem precisa sair ou entrar na localidade.
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Em nota ao g1, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) disse que os serviços de recuperação do ramal ainda não foram iniciados devido às fortes chuvas na região. (Confira mais abaixo)
As imagens ainda mostram trechos completamente tomados pela lama, o que dificulta até a passagem de veículos de maior porte. Em outro registro, moradores aparecem utilizando uma enxada para tentar abrir passagem para uma caminhonete, que estava atolada no ramal.
Video feito por moradores mostra um carro atolado no Ramal do Icuriã, em Assis Brasil que está tomado pela lama
Arquivo pessoal
Conforme o presidente da Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktsahi Hajene (Mappha), Lucas Artur Brasil Manchineri, o problema é antigo e se repete ao longo dos anos para cerca de 3 mil pessoas que dependem diretamente da via para se deslocar.
“Há muitos anos essa situação continua. Entra prefeito, sai prefeito, entra governo, mas nunca conseguem melhorar esse ramal. Isso prejudica a saúde, a educação e a economia das comunidades”, afirmou.
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Conforme a liderança, o ramal liga a zona urbana de Assis Brasil ao Seringal Icuriã, onde vivem os povos Manchineri e Jaminawa, além de famílias ribeirinhas e extrativistas, contudo, as dificuldades de acesso têm impactado o cotidiano de todos.
“Esse ramal é a nossa vida, sem ele a gente não é nada e ficamos totalmente isolados pelas condições que estão hoje. Os materiais escolares e merenda ainda não chegaram à Aldeia Extrema, aqui perto, mesmo após o início do ano letivo”, disse.
Prejuízo à educação e saúde
Devido as más condições da estrada que impedem o tráfego regular, o acesso tem impactado inclusive, o transporte de professores e equipes de saúde. Além disso, o custo do frete também aumentou significativamente.
Moradores relatam a situação está afetando diretamente a saúde das comunidades, sobretudo quando é preciso fazer a remoção de pacientes e transporte de medicamentos. Segundo eles, já houve casos de partos ocorridos no trajeto e até mortes pela demora na via.
“Tudo piorou, se quisermos pagar um frete por conta própria, o valor fica entre R$ 900 e R$ 1 mil no verão, e ainda pode chegar a até R$ 1,7 mil agora no inverno, é luta isso aqui”, destacou o presidente.
Reivindicação
Diante da situação, lideranças indígenas encaminharam um pedindo providências aos órgãos públicos. Entre as reivindicações estão a recuperação emergencial do ramal, com serviços de pavimentação e drenagem, além do pedido de manutenção periódica da via.
As comunidades também solicitam a criação de uma linha de transporte enquanto o ramal não for asfaltado, como forma de reduzir os custos de deslocamento. O pedido foi feito ao governo do estado, Prefeitura de Assis Brasil, Instituto de Terras do Acre (Iteracre), Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério dos Povos Indígenas.
Ainda conforme o presidente da Mappha, o ramal foi aberto nos anos 2000 e, segundo os moradores, nunca recebeu melhorias estruturais permanentes. Além de garantir o acesso a serviços básicos, a estrada é considerada estratégica para a economia local e para ações de proteção territorial na região.
Em 14 de junho do ano passado, o governo abriu uma licitação para recuperação do Ramal do Icuriã, através da concorrência eletrônica nº 062/2025 que tinha como objetivo, a contratação de uma empresa especializada para execução dos serviços.
Nota do Deracre
O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) informa que os serviços de recuperação do Ramal Icuriã, em Assis Brasil, ainda não foram iniciados devido ao alto volume de chuvas na região.
Como os serviços de manutenção e recuperação de ramais envolvem terraplenagem, limpeza mecanizada, cortes e aterros, a execução dos trabalhos fica inviabilizada com o solo saturado pelas condições climáticas.
A intervenção integra a Operação Verão 2026. Segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as chuvas seguem acima do previsto no estado, o que impede o início dos serviços neste momento.
Roberto Assaf
Presidente do Deracre
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