Mulher trans pega mais de 4 anos de prisão por matar namorado da amiga ao tentar defendê-la no AC
19/05/2026
(Foto: Reprodução) Ítalo Valentim da Silva foi morto em Brasiléia, em 2025
Arquivo pessoal
A Justiça do Acre condenou, a mais de quatro anos de prisão, uma mulher trans acusada de matar o namorado de uma amiga com uma facada após presenciar uma agressão por parte do homem em março do ano passado, em Brasiléia, interior do Acre.
O resultado do júri saiu no dia 5 de maio, na Vara Criminal do município. Desde abril do ano passado, a mulher cumpria a pena em prisão domiciliar com medidas cautelares. Ao g1, a defesa de Elizabethy Kadory de Medeiros Oliveira disse em nota que vai recorrer da decisão.
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"A defesa respeita a decisão judicial, mas discorda de pontos da sentença e irá recorrer. Inclusive, já foram apresentados embargos de declaração, pedindo que o Juízo esclareça pontos que, no entendimento da defesa, não foram devidamente analisados", destacou o advogado Sanderson Mariano. (Confira a nota completa mais abaixo)
O crime aconteceu na madrugada de 8 de março de 2025, na casa da acusada, localizada no bairro Eldorado, em Brasiléia. Conforme o processo, Ítalo discutiu e agrediu a ex-companheira e, para defender a amiga, ela empurrou o homem para fora de casa.
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Enfurecido, ele reagiu batendo com um carro no portão, momento em que a mulher desferiu um golpe na coxa esquerda da vítima, provocando um choque hipovolêmico. Ele morreu no local. A denúncia contra ela foi aceita pela Justiça em agosto de 2025.
Segundo a sentença, a mulher trans foi condenada a 4 anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto, ou seja, poderá trabalhar ou estudar fora do presídio durante o dia, mas deverá retornar ao complexo prisional durante a noite.
A acusada também terá que pagar R$ 10 mil por danos morais à família de Ítalo. O magistrado Jose Leite de Paula Neto compreendeu que houve um intervalo entre a briga inicial do casal e o momento em que a vítima foi golpeada.
Com isso, o juiz destacou que a mulher teve tempo para refletir, buscar uma faca na cozinha e após o crime, ocultá-la na residência e, assim, a Justiça entendeu que o crime ocorreu com "violenta emoção" onde a vingança foi cometida com uma "retaliação calculada".
Uma captura de tela de conversa via WhatsApp logo após o crime mostra que a acusada afirmou ter passado a língua na faca suja de sangue. A atitude, conforme o juiz, foi incompatível com quem age em legítima defesa. "Indica na verdade, o contrário, satisfação ou desprezo", disse Neto.
Crime ocorreu na casa da acusada em Brasiléia, em março de 2025
Alexandre Lima/arquivo pessoal
Leia na íntegra a nota da defesa
A defesa informa que respeita a decisão judicial, mas discorda de pontos relevantes da sentença e irá recorrer. Inclusive, já foram apresentados embargos de declaração, pedindo que o Juízo esclareça pontos que, no entendimento da defesa, não foram devidamente analisados.
O principal ponto é que o caso deve ser examinado dentro de todo o contexto dos fatos, especialmente quanto à tese de legítima defesa, inclusive em proteção de terceira pessoa. A defesa sustenta que houve uma sequência de agressões, tentativa de invasão do imóvel e situação de risco concreto, circunstâncias que precisam ser consideradas de forma completa.
Por ora, a defesa seguirá tratando o caso nos autos, com respeito ao Poder Judiciário, mas confiante de que os recursos cabíveis permitirão uma reavaliação mais ampla da situação.
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