‘Não sabemos de nada’, diz viúva 1 mês após morte de homem que recebeu injeção em farmácia no AC
24/04/2026
(Foto: Reprodução) Maiko Oliveira França, de 31 anos, morreu após infecção depois de aplicar medicamento em farmácia no Acre
Arquivo pessoal
Um mês após a morte de Maiko Oliveira França, de 31 anos, que tomou uma injeção em uma farmácia de Tarauacá, no interior do Acre, e apresentou quadro de infecção generalizada dias depois, a viúva dele, Soraya Neri, afirmou que não recebe atualizações sobre a investigação do caso há mais de 15 dias.
Ao g1, o delegado responsável pelo caso, José Ronério, informou que segue em novas diligências a respeito da situação. "Nós, provavelmente, estaremos pedindo a prorrogação do prazo para conclusão do inquieto", resumiu.
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👉 Contexto: Maiko morreu no dia 22 de março após apresentar complicações graves nos dias seguintes à aplicação de uma medicação injetável aplicada na região do glúteo. A causa da morte foi apontada como sepse associada a fasciíte necrosante, uma infecção grave que se espalha rapidamente pelo corpo e pode levar à falência de órgãos como rins e fígado. O caso é investigado pelo Ministério Público do Estado (MP-AC) e apurado pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF-AC).
De acordo com Soraya, a família aguarda retorno das autoridades sobre os desdobramentos da investigação.
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A última vez que a chamaram para comparecer à delegacia foi no dia 1º de abril.
“Desde lá, ainda não tivemos resposta de nada. Segundo o que informaram para nós, estariam esperando o prontuário de Cruzeiro do Sul, mas até agora não entraram mais em contato com a gente. Esperávamos que eles entrassem em contato, mas até agora nada, há mais de 15 dias [que não há qualquer retorno]”, disse.
O caso
Conforme a família, Maiko procurou o estabelecimento no dia 18 de março após sentir tonturas. No local, ele teria pedido orientação sobre qual medicamento tomar e, após recomendação de uma atendente, recebeu uma injeção intramuscular aplicada na região do glúteo.
De acordo com relatos de familiares, a aplicação foi feita por uma mulher que seria filha dos proprietários da farmácia. A medicação teria sido administrada mesmo após o paciente demonstrar hesitação inicial.
Nos dias seguintes, o quadro de saúde de Maiko piorou. Ele voltou à farmácia no dia 19 com dores intensas e recebeu apenas um spray analgésico. Já no dia 20, apresentou agravamento dos sintomas, incluindo hematomas e dor intensa, e procurou atendimento médico no hospital da cidade.
Maiko ficou internado por dois dias em Tarauacá e, devido à gravidade, foi transferido via aérea para Cruzeiro do Sul. Ele chegou ao Hospital Regional do Juruá em estado crítico e morreu no dia 22 de março.
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Cedida
O MP-AC instaurou, no dia 26 do mesmo mês, procedimentos nas áreas criminal e cível para apurar as circunstâncias da morte. O CRF-AC também apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos de justiça.
O homem deixou três filhos, de 10 anos, 8 anos e um bebê de um mês, além de uma companheira com quem mantinha união estável há mais de dez anos. Na época, a família chegou a fazer um protesto pedindo justiça e celeridade nas investigações.
“É uma dor muito grande na nossa família por conta de um erro de uma farmácia. A farmácia continua funcionando normalmente, como se nada tivesse acontecido, isso causa revolta. Deveria ter pelo menos luto pela nossa família”, disse a prima da vítima, Raimunda Cristiana.
Maiko Oliveira França morreu em Cruzeiro do sul no dia 22 de março
Arquivo pessoal
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