Neto do fundador da Miragina é preso em operação contra o tráfico de drogas no AC
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Operação cumpre prisões em investigação sobre tráfico de drogas no Acre
O empresário Abrahão Felício Neto foi preso durante a Operação Regresso, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre (Ficco-AC), nesta quarta-feira (11) contra o tráfico de drogas. Ele é neto dos fundadores do Grupo Miragina. A informação foi apurada pela Rede Amazônica Acre e o g1.
A reportagem tenta contato com a defesa do empresário preso. A Miragina é umas empresas mais tradicionais do Acre que trabalha com alimentos desde 1967. Criada por Abrahão Felício e a esposa Miriam Assis Felício, a indústria tem mais de 20 produtos, incluindo os derivados da castanha do Brasil.
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A polícia informou que a empresa não é alvo da operação, contudo, cumpriu diligências na sede da Miragina nesta quarta. Foram cumpridos ainda cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão contra investigados por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Ainda conforme as investigações, o investigado 'se utilizou indevidamente da estrutura da empresa para a prática dos ilícitos'. Ao g1, o advogado da empresa, Gilliard Nobre Rocha, informou que o empresário preso não 'possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A'. (Veja a nota na íntegra abaixo).
Operação da Ficco-AC mira empresa de biscoitos Miragina, em Rio Branco
Reprodução
A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 5 milhões. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco e são cumpridas na capital e em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, além de Aracaju (SE).
Durante a ação, a polícia prendeu três pessoas por posse ilegal de arma de fogo, sendo duas em Rio Branco e outra em Cruzeiro do Sul, apreendeu cinco veículos e apreendeu R$ 8 em dinheiro.
Investigações
Segundo as investigações conduzidas pelas polícias Federal, Civil, Militar e Penal, o grupo atuaria de maneira estruturada no envio de drogas para outros estados.
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Ao longo da apuração, foram identificados ao menos cinco episódios relacionados ao tráfico, que resultaram na apreensão de, aproximadamente, 350 quilos de cocaína no Acre, Pará e Goiás.
"Um dos líderes do grupo investigado, oriundo de uma conhecida família acreana, exercia papel central na coordenação das atividades ilícitas, articulando negociações e logística para o transporte das drogas", afirmou o delegado Rodrigo Muniz.
A investigação também apura a utilização de mecanismos para ocultação de patrimônio, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Os suspeitos poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
Polícia Federal (PF-AC) em Rio Branco
Aline Pontes/Rede Amazônica
Apreensão de drogas
Em dezembro de 2022, a empresa também esteve no centro de outra polêmica quando um caminhão que transportava biscoitos Miragina foi apreendido com 468 kg de cocaína. Na época, a empresa divulgou uma nota afirmando que 'não possuía qualquer responsabilidade quanto à guarda e transporte dos produtos por ela vendidos, tão logo sejam retirados pelos clientes em sua fábrica'.
A apreensão ocorreu na Unidade Operacional de Poconé, BR 070, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando os policiais deram ordem de parada a uma carreta que seguia sentido Cuiabá.
Na fiscalização, pediram que o condutor estacionasse o veículo em posição segura e sem atrapalhar a rodovia, contudo, ele teve grande dificuldade para fazer as manobras, o que mostra que não tinha perfil de motorista profissional.
Caminhão carregado com biscoitos Miragina foi apreendido com mais de 400 quilos de drogas
Arquivo/Polícia Rodoviária Federal
O motorista disse que levaria o caminhão a pedido de alguém que não conhecia pessoalmente. O veículo iria para o Rio Grande do Norte, onde seria entregue a um comprador do semirreboque, mas ele não sabia o valor.
Também afirmou que não tinha certeza se voltaria para casa e não sabia dar detalhes sobre a viagem. O motorista contou que carregou a mercadoria em uma fábrica de Rio Branco com destino a Parnamirim/RN.
Disse que seu patrão pediu para deixar as carretas em um depósito no fim de semana. Afirmou também que não conhece o contratante pessoalmente, apenas por mensagens em aplicativo.
Nota na íntegra da empresa sobre a operação
A Miragina S/A Indústria e Comércio vem a público esclarecer informações veiculadas acerca da “Operação Regresso”, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (11).
Diante das notícias que circulam, a Miragina S/A destaca que não é alvo, direta ou indiretamente, da referida operação policial. Não é parte investigada, não é mencionada no inquérito, e não é alvo de qualquer ordem judicial.
Apesar de ter comparecido à sede da empresa na manhã de hoje, a Polícia Federal não realizou qualquer de diligência em desfavor da empresa, que mantém suas atividades regulares e preza pela transparência e conformidade legal em todas as suas operações.
Dentre as diversas pessoas investigadas, do que se pode conhecer, a operação menciona uma pessoa ligada a uma das acionistas. Esta pessoa, contudo, não possui qualquer participação, cargo de direção ou vínculo administrativo ou trabalhista com a Miragina S/A.
Até o presente momento, os autos processuais encontram-se sob sigilo de Justiça. Por esta razão, a empresa e sua defesa técnica estão impossibilitadas de prestar maiores detalhes sobre o conteúdo da investigação.
Por fim, a Miragina S/A reafirma seu compromisso histórico com o desenvolvimento do Acre e com a ética que pauta sua atuação há décadas, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
Miragina S/A Indústria e Comércio
R/P Gilliard Nobre Rocha
OAB/AC 2.833 | OAB/RO 4.864
VÍDEOS: g1