Polícia encontra remédios e insumos desviados de hospitais em depósito clandestino no AC

  • 14/01/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia encontra remédios desviados de hospitais em depósito no Centro de Rio Branco A Polícia Civil descobriu um depósito clandestino usado para armazenar remédios e insumos possivelmente desviados dos hospitais do Acre. A ação ocorreu na Rua Eduardo Asmar, região da Gameleira, Segundo Distrito de Rio Branco, na manhã desta quarta-feira (14). Não houve prisões. As equipes policiais cumpriram mandados judiciais no depósito e também em uma clínica da Baixada da Sobral, que pertence ao empresário e ex-deputado estadual, Raimundo Correia da Costa, mais conhecido como Raimundinho da Saúde. (Veja detalhes abaixo) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Essa é mais uma fase da operação que apura supostos desvios de medicamentos e insumos hospitalares da rede pública do Acre. (Relembre no final desta reportagem) Medicamentos e insumos estavam armazenados em caixas e sacos de lixo Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre O primeiro alvo dos policiais foi o depósito na Gameleira. O estabelecimento estava fechado e não tinha ninguém dentro. Os medicamentos e materiais hospitalares estavam armazenados em caixas de papelão e sacos de lixo. LEIA TAMBÉM Idoso é preso com remédio desviado da rede pública de saúde do AC; casa funcionava como farmácia clandestina Polícia investiga envolvimento de servidores em desvio de remédios da rede pública no Acre Uma equipe da Rede Amazônica Acre acompanhou a ação. A reportagem apurou que havia sensor de glicose, caixas de luvas, ampolas de remédios, seringas, algodão, dentre outros insumos no depósito. Havia várias caixas violadas, embalagens de insumos abertos e materiais espalhados no estabelecimento. Um caminhão foi usado para retirar as caixas do local e levar para um depósito da Polícia Civil para contabilização. Caminhão foi utilizado para retirar o material apreendido e levar para uma depósito da Polícia Civil Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre Clínica de ex-deputado Da Gameleira, as equipes policiais se deslocaram para a Baixada da Sobral para cumprir mais mandados judiciais. O alvo da ação dessa vez foi uma clínica do empresário e ex-deputado estadual, Raimundo Correia da Costa, mais conhecido como Raimundinho da Saúde. Na clínica, os policiais fizeram uma revista no depósito, contudo, não encontraram nada de irregular e não houve apreensão. A polícia chegou até o estabelecimento após encontrar documentos em nome de um dos investigados, que já trabalhou com Raimundinho da Saúde. À Rede Amazônia Acre, o empresário disse que todos os materiais e insumos da clínica têm nota fiscais e são comprados de representantes legais. Ele destacou que o estabelecimento não trabalha com medicamentos, apenas com consultas e exames e se colocou à disposição para mais esclarecimentos. Raimundinho da Saúde negou que tenha material desviado da rede pública de Saúde em sua clínica Júnior Andrade/Rede Amazônica Acre "Tem que, de fato, investigar, saber onde foi que pararam esses medicamentos, que muitas vezes faz faltam na unidade de saúde pública do nosso estado. Tem que verificar todas as clínicas de Rio Branco, inclusive alguns hospitais particulares, ver onde é que foi parar esse medicamento e trazer à luz da sociedade tudo aquilo que precisa ser esclarecido", destacou. Questionado se conhece o idoso preso na primeira fase da operação, o empresário confirmou conhecê-lo, mas negou que o suspeito tenha oferecido remédios para a clínica. "É uma figura conhecida aqui do bairro, anda de vez em quando aqui pela rua, todo mundo no bairro conhece seu Eugênio. Não chegou a oferecer [medicamentos]. Como a gente não trabalha com produtos hospitalares, somos uma clínica só de consulta e exames, não vendemos medicamentos", resumiu. Farmácia clandestina No dia 5 de janeiro, equipes do Departamento de Polícia Civil da Capital e do Interior (DPCI) cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma casa no Beco da Glória, região da Baixada da Sobral, e encontraram diversas caixas de remédios para tratamento contra câncer, para hemodiálise, controlados, dentre outros, além de gazes, luvas, fraldas descartáveis e outros materiais hospitalares. Um homem de 74 anos que estava na residência foi preso e levado para delegacia. Ele acabou solto no dia seguinte durante audiência de custódia e aguarda o andamento das investigações usando tornozeleira eletrônica. Após a prisão, a Polícia Civil informou que investiga o envolvimento de funcionários públicos no esquema e que o descaminho dos materiais começou em 2023, mas a investigação só começou há dois meses, no final de 2025. Foram encontrados ainda remédios na casa de suspeito de 74 anos Arquivo/Polícia Civil Segundo a investigação, na casa funcionava uma farmácia clandestina e a pessoa presa seria o receptador da medicação. "Acredita-se que o valor dos medicamentos ultrapasse até um milhão de reais. A Polícia Civil vai continuar a realizar o trabalho investigativo, as diligências para continuar a aprofundar a investigação", explicou em entrevista coletiva o delegado Igor Brito. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) afirmou que há indícios de que foram desviados medicamentos do Pronto-Socorro, Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Polícia cumpre mandados judiciais em nova fase de operação que investiga desvio de remédio No último dia 7, um servidor público foi levado à delegacia para prestar depoimento durante cumprimento de mandados de busca e apreensão da Polícia Civil. Ele teve o celular apreendido. A polícia não divulgou detalhes sobre a revista na casa do servidor público, contudo, confirmou que foram encontradas provas no telefone sobre o desvio de remédios. O g1 apurou que a polícia também esteve na casa do idoso preso no início da operação e apreendeu mais de R$ 20 mil em espécie, dólares e outras moedas estrangeiras, e morfina. A mulher do suspeito foi levada para a delegacia para prestar esclarecimento. Início da apuração Ao g1, a Sesacre informou que a operação ocorreu a pedido da pasta após 'identificação de indícios de furto de medicações e insumos em unidades de saúde'. Durante entrevista coletiva, no dia 5 de janeiro, o secretário Pedro Pascoal disse que os desvios tiveram impactos no atendimento ao público. "O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente para as patologias, doenças, diagnósticos e, enfim, no consumo dos nossos pacientes, das nossas unidades de saúde. E isso deu um start [na investigação]", afirmou. Idoso é preso com remédio desviado da rede pública de saúde do AC Extensão do esquema Enquanto apura o envolvimento de servidores, a polícia também tenta levantar informações de unidades de saúde do interior do estado para saber se os desvios chegaram aos municípios. "Vamos agora fazer o levantamento da apreensão de todos os medicamentos. Quando fizermos toda essa discriminação de todos esses medicamentos, nós vamos levar para o secretário, levar, provavelmente, também às prefeituras -- porque ali [casa onde ocorreu a apreensão] funcionava como um armazém -- pode ser que tenha medicamentos de outras prefeituras, ou da prefeitura da capital. Fizemos a apreensão, e existia ali medicamentos que não foram comprovados a origem", acrescentou o delegado geral. Os investigadores também irão apurar qual era o fluxo dos medicamentos desviados, se eram comercializados e quem seriam os possíveis clientes. Polícia estima que havia R$ 1 milhão em medicamentos em armazém clandestino Arquivo pessoal Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/01/14/mais-uma-fase-da-operacao-que-investiga-desvio-de-remedios-no-acre.ghtml


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