Preço do material escolar varia em mais de 100% na maioria dos itens no AC, diz pesquisa
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Itens do material escolar têm diferenças de preço de até 900% em Rio Branco
Divulgação/ Procon Petrópolis
Com a chegada de mais um ano letivo, pais ou responsáveis por crianças e adolescentes têm uma tarefa bastante cara nesse período: garantir o material escolar. Um levantamento feito em Rio Branco, pela Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan), mostrou que a maioria dos itens têm mais de 100% de variação entre estabelecimentos.
A pesquisa comparou o maior e o menor preço encontrado em cada item dos matérias escolares considerados como os principais para os estudantes. A pesquisa foi feita entre os dias 13 e 15 de janeiro.
📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
A maior diferença encontrada foi nos preços da borracha branca sem suporte, um material que variou entre 50 centavos e R$ 6, uma diferença de 990,9% segundo a pesquisa. Logo depois vem o apontador de lápis com um furo sem depósito, onde o menor valor foi 50 centavos, e o maior R$ 3,90. A variação chega a 680%.
Conforme a lista o corretivo em caneta, que contém cerca de 0,7 ml, teve a terceira maior variação da pesquisa, com 503,3% de variação, visto que o menor valor encontrado foi de R$ 3, enquanto o maior valor do produto foi R$ 18,10. Em contraponto, a menor variação foi da caixa de giz de cera com 06 cores, que registrou R$ 4,85 no menor valor e R$ 5,00 no maior, uma diferença de 3,09%.
Economista esclarece dúvidas sobre como se organizar financeiramente em 2026
As categorias avaliadas foram as seguintes:
I – cadernos, papel sulfite e refil para fichário;
II – apontador de lápis, borracha branca, corretivo, caneta esferográfica, caneta hidrográfica, lápis preto, lapiseira, marca texto e régua;
III – cola branca, cola bastão, cola isopor, giz de cera, lápis de cor, massa de modelar, tinta guache, caderno de desenho, tesoura e cartolina.
"Vale ressaltar que os itens podem ser mais caros de acordo com marca ou em função das características específicas do produto, como no caso de materiais personalizados com figuras de personagens famosos", ressalta a pesquisa.
Ainda de acordo com o levantamento, entre os 42 itens, 28 itens apresentaram variação percentual superior a 100%, enquanto 14 itens registraram variação abaixo de 97%. "Um produto mais barato pode atender aos requisitos frente às diferenças de preços tão acentuadas nos produtos mais caros", finalizou a pesquisa.
Apertou no bolso
Para a professora Andressa Samara Soares da Silva de Jesus de 37 anos, o investimento no material didático escolar das duas filhas acabou pesando no orçamento e segundo ela, foi mais caro do que a aquisição no ano passado.
"Com certeza esse ano foi bem mais caro que os anos anteriores, principalmente as mochilas escolares, isso porque minhas filhas já estão no fundamental ll e ensino médio, e não tem mais a lista de materiais específicos", disse.
Ainda segundo a professora, o material didático das filhas saiu por mais R$ 1 mil reais. "No total deu quase R$1,7 mil, sem contar os livros didáticos, isso porque comprei algumas coisas na internet, como caderno e canetas coloridas, como forma de reduzir os gastos", finalizou.
Procon de olho
Para evitar cobranças excessivas aos consumidores, a presidente do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-AC), Alana Albuquerque, contou ao g1, que o órgão busca verificar o cumprimento das normas da legislação no setor educacional e no comércio de materiais escolares
Conforme a gestora disse, os pais ainda precisam ficar atentos com a lista de materiais exigidos pelas escolas, que devem ser exclusivos as atividades pedagógicas, com isso o órgão deu início em a janeiro, a Operação Voltas às Aulas.
"Se o consumidor identificar suspeita de violações de preços dos materiais didáticos ou outras práticas abusivas relacionadas ao consumo (como preço abusivo, exigência indevida de materiais, e discriminação de marcas), o consumidor pode registrar uma denúncia junto ao Procon", afirmou.
Ainda segundo a gestora, antes de formalizar a denúncia, é recomendável tentar resolver diretamente com a instituição de ensino. "Uma dica é guardar sempre a nota fiscal, listas de materiais, capturas de tela e qualquer comunicação que comprove a violação", declarou.
Reveja os telejornais do Acre